Dizem que um simples sorriso ajuda, que alivia. Dizem que um olhar faz milagres, que suaviza. Dizem que gestos abrem-nos o coração, que o aquece. Às vezes esforçamo-nos, tentamos preencher cada momento com mais emoção, com mais sensação, com mais amizade, com mais cumplicidade. Ficamos fascinados e nem vemos quem realmente está à nossa frente. O brilho dos nossos olhos não deixam ir além da imagem, não deixam tocar na alma e sentir se nos quer bem ou mal. Já me disseram que sou ingénua, que muitas vezes não olho em volta, só em frente. Já me disseram que a vida é mais feliz quando se tem quem nos quer bem, e não quem achamos que o quer. Acho que simplesmente me deixava levar, espírito solto. Era fascinada por novas amizades, por novos momentos, por novos sorrisos, por partilhar o meu mundo com alguém novo, por conhecer parte de outra pessoa, por construir confiança. Sempre me disseram que é nestas idades que se encontram amizades para toda a vida. Mas ninguém se lembrou de me falar sobre decepções, sobre grandes desilusões, sobre lágrimas. Descobri sozinha a dor da traição. Muitas vezes pensamos que nunca nos acontece a nós, só aos outros. Pensamos que somos nós que temos as verdadeiras, muitas vezes suspiramos e dizemos ‘ainda bem que não foi a mim, as minhas miúdas nunca me fariam isso’. Hoje suspiro, não por ter a certeza que tenho as verdadeiras, mas sim porque pelo menos sei que uma não era. Não é fácil a despedida. Não é fácil mentalizar-nos que um dia ela nos virou as costas. Mas só me resta esquecer o passado, sentir o presente e tentar construir um futuro. Aprendi a esquecer tudo aquilo que me dói, que me magoou, que me feriu, que me atingiu o coração. Agora sei e sinto que poucos sorrisos valem mais do que mil. Que poucas confianças tornam-se mais seguras. Que não preciso de procurar mais, preciso apenas de preservar e amar cada uma que ficou. Hoje sei que tudo o que ficou para trás, sobre nós, permanecerá para sempre, mas não como recordações, apenas como memórias fechadas a sete chaves.

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